Uma promessa de tratamento odontológico gratuito tem gerado revolta, prejuízos e uma série de ações judiciais em Bernardino de Campos. Moradores acusam a Prefeitura de divulgar, em 2025, um programa que não foi cumprido como anunciado, em parceria com a Faculdade do Centro Oeste Paulista.
A campanha oficial informava que a população poderia realizar implantes dentários e usar aparelhos sem custos. Com apoio da Secretaria de Saúde, que realizou triagens, e transporte oferecido pelo município, cerca de 143 pessoas aderiram ao projeto.
O problema surgiu no decorrer dos atendimentos. Pacientes relatam que, após iniciarem os procedimentos, foram surpreendidos com a cobrança para continuidade do tratamento — principalmente na fase de colocação de próteses. Em alguns casos, os valores ultrapassavam R$ 10 mil, inviabilizando a permanência no programa.
Sem condições de pagar, muitos abandonaram o tratamento pela metade. Há relatos de moradores que ficaram apenas com pinos na boca, outros sem dentes após extrações e alguns com próteses provisórias. As consequências vão além da estética: pacientes relatam dificuldades para se alimentar, problemas de saúde e forte abalo psicológico, incluindo casos de depressão.
Diante da situação, moradores passaram a procurar a Secretaria de Saúde em busca de respostas e recorreram à Justiça com ações contra o município e a instituição de ensino.
A Prefeitura, por sua vez, ingressou com ação civil pública contra a FACOP, alegando que não houve convênio formal garantindo gratuidade total e que as condições teriam sido negociadas diretamente entre a instituição e os pacientes. O prefeito Wilson Garcia afirmou que a administração foi surpreendida pela condução dos atendimentos.
Em nota, a Prefeitura informou que tenta viabilizar a continuidade dos tratamentos sem custos e que abriu processo para credenciar clínicas especializadas. Já a FACOP sustenta que o acordo previa apenas descontos, e não gratuidade integral, afirmando que a fase cirúrgica foi gratuita, enquanto a etapa protética envolve custos laboratoriais.
O caso é investigado pelo Ministério Público, que apura possíveis irregularidades e responsabilidades.